terça-feira, 1 de Dezembro de 2009
O Povo e Ulisses
Viu crianças novas a brincarem nos quintais
Sonhos vagabundeando tresmalhados
O curral das cabras deixado ao abandono subtil.
Quando Ulisses percorreu Ítaca por seu pé
Ao lado de Penélope e de uma tela inacabada
Viu Telemáco levar por sua mão os cavalos
Para o estábulo real,
Penélope colhendo as flores
O velho cão ladrando aos ares.
Quando Ulisses percorreu Ítaca por seu pé
Poucos o saudaram, esquecidos do rei
Que os abandonou
para defender uma paixão fantasma,
Ocupados nos seus afazeres,
Gerindo a Terra com mãos de água.
Quando Ulisses percorreu Ítaca por seu pé.
Viu que o Povo prospera sem dono,
Sem um mestre escondido num castelo flutuante,
Vindo com a maré e desaparecendo com as mágoas.
sexta-feira, 20 de Novembro de 2009
Aos meus leitores e comentadores
Fico bastante feliz quando percebo que os meus posts agradam e influenciam alguém, sendo uma coisa que me incentiva a continuar a escrever,ou , por vezes a tentar.
Muitas vezes os escritores proclamam que não se interessam por quem lê os seus textos ,poemas ou livros, pois eles valem por si próprios. Para mim, isso é mentira. Uma obra só vale na medida em que influencia o seu espectador( neste caso, o leitor).
Muito Obrigado, dão-me mais vocês a mim do que eu a vós!
sábado, 7 de Novembro de 2009
Tributo a Carl Sagan
Para o celebrar, deixo-vos aqui um poema em tributo. Poderia estar melhor, mas a urgência de o homenagear é demasiada. Considerem-no, talvez, um poema em construção.
Tributo a Carl Sagan.
Dizem que perco a poesia
ao preferir a realidade.
Dizem que me rouba o romantismo
Os sonhos construídos no desejo de morrer.
Que o belo está noutro mundo,
assim como o amor.
Que o que temos é pouco, tão pouco
e que eu devo estar vazio, tão vazio.
Mas como me podem considerar menos romântico
menos poeta, menos completo,
se enquanto eles sonham com o pedaço de Terra que moldaram à sua imagem
Eu sonho o Universo, a glória boreal do Sol, do vácuo,
as explosões massivas das estrelas, os rodopios fascinantes das galáxias,
a poeira das estrelas suspensa num raio de luz.
Mas como me podem eles acusar de cientismo,de brutidão
se vivem numa pequena redoma que não sente nem a aurora
nem o espaço?
Mas como me podem eles acusar de falta de imaginação,
se nem compreendemm o que se estende à nossa volta?
Mas como podem eles ser poetas
se não sabem a realidade?
Porque a Nova Poesia
é a realidade.
Obrigado, Carl Sagan.
sábado, 3 de Outubro de 2009
Inquietação
Conseguiria dar-te a Lua,
Enclausurar as estrelas num redoma de vidro
Para que brilhassem só para ti.
Sou poeta.
Apenas te posso dar as palavras
e os meus lábios.
domingo, 13 de Setembro de 2009
Apontamento sobre haiku
Nos haikus perde-se o pensamento como um sonho
Quedando o poeta observando docemente
A beleza da simplicidade complexa
Do clamor dos elementos derramados numa flor
Da gota de água que dança na ponta de um raio de sol.
Nos haikus o poeta respira finalmente
Deixando o ar bailar suavemente
Atingindo o corpo como as gotas de orvalho.
Nos haikus vivem-se os momentos
Que se transformam em poesia.
Nos haikus
Vê-se a luz
Existente nas palavras.
segunda-feira, 10 de Agosto de 2009
Inominável
Tenho o sentido das palavras na palma da minha mão. É quente, reconfortante, como o cheiro do verão, dos restos de uma noite quente emanando do pavimento, como nas madrugadas em que o ar se levanta do asfalto, lembrando África e o céu azul.
Não sei que vozes ouço ao longe, além do ladrar dos cães e do vento que me desliza pela espinha, entre a pele e a carne. Só pode ser o mar, clamando e assobiando eternamente.
O mar está azul e o dia amanhece. Visto-me, como e saio para a rua, por entre os carros e o Tejo que serpenteia leve.
Criado:Sábado, 15 de Novembro de 2008, 17:52:36
Modificado: 17-07-09 23:55
Última correcção: 10-08-09 23:46
