sábado, 25 de abril de 2009

25 de Abril-O dia da Liberdade


Há 35 anos caiu um regime fascista. Um regime totalitário, que aprisionava as opiniões e os gestos, que paralisava as mentes e as palavras.


Há quem diga que foi um golpe de estado, há quem diga que foi uma revolução , há quem diga que foi um golpe de estado transformado em revolução.

Não sei, sinceramente. Não era vivo nesse tempo e não tenho dados imparciais para esboçar uma opinião.


Sei que se acabou o medo ou que , pelo menos, se reduziu drasticamente.

Sei que a Liberdade voltou.

Sei que se dissesse nessa altura o que digo agora, estaria em Caxias ou no Tarrafal.

Sei que, pelo menos agora, posso falar.


E por isso sinto, festejo e comemoro o 25 de Abril.

Agradeço a quem lutou contra o regime, pela Liberdade.


Ainda há muito que fazer, mas agora, como sempre, depende de nós. Sempre tivemos , individual e colectivamente, a possibilidade de influenciar e mudar a sociedade.

Antigamente era bastante perigoso. Implicava, muitas vezes, um compromisso sério e um ajustamento da vida , uma renúncia a qualquer vida social ou familiar e uma passagem para a clandestinidade, Agora já não, embora exija dedicação, como tudo quando levado a sério na vida.


Mas há uma coisa que não nos podemos esquecer. A Liberdade não é garantida, e não se pode lembrá-la nem lutar por ela apenas um dia por ano.


Tem de ser uma luta e ter uma atenção contínua, uma denúncia permanente de quem nos tenta tirá-la e um carinho firme pelo que é e o que nos dá. Senão, corremos o risco de ficar sem ela. Porque, mesmo sendo um direito fundamental , infelizmente ainda há quem tenha a mania de não a respeitar.


E, principalmente agora, em que muita gente se tornou apática e apolítica , recordo que o que os políticos decidem nos afecta a todos. Não podemos deixar andar, não podemos ficar calado. Temos de falar e de lutar. Não podemos permitir que algumas pessoas ponham a ambição , a crença cega e o interesse próprio à frente da Humanidade.


25 de Abril Sempre

Fascismo nunca mais!

Viva a Liberdade e a Humanidade!


Ps:Por vezes acho que afinal ainda não há tanta Liberdade assim.O tempo virá, temos é que lutar. 04/05/09

domingo, 19 de abril de 2009

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Poema para levantar a noite

Fotografia tirada na Serra do Risco. Vista para o Oceano Atlântico,
numa saída de campo espectacular.
(Proporcionada pelo Núcleo de Geologia da FCT-UNL ;-D).
Tirada Pelo autor deste blogue.


Poema para levantar a noite


Não peças silêncio ao dia e à noite.
Não peças o silêncio dos pássaros
das casas que estremecem
Nem das crianças que riem
dos adultos que gemem
dos cães que ladram.

Não peças silêncio aos cantores de rua
aos doidos da esquina que se deixam levar por comboios
e eléctricos guinando desesperados por Lisboa
aos namorados que sussurram entre si
palavras de amor .

Não me peças silêncio quando te falo
em olhares lancinantes
Ou em sorrisos rasgados
e palavras escolhidas a dedo

Não peças silêncio à cidade que se estende em altos e baixos
desordenada com os gritos das varandas
o som dos pedintes
os condutores a gritarem entre si.

Não peças silêncio aos estudantes que vivem sorrindo
a quem fala sozinho
a quem fecha os olhos nos cacilheiros que percorrem a água
lentamente

Não peças silêncio a quem fala
alegre
e a quem suspira de paixão à beira tejo .

(Se é que há quem suspire de paixão
À beira tejo.)
(Mas toda a gente suspira de paixão
À beira tejo.)

Pede silêncio a quem não diz nada,
aos ruídos brancos disparados
pelos políticos e empresários
que te devoram metaforicamente por dentro
do alto dos seus esgares de quem
se devora metaforicamente por dentro
mentindo e deixando de lado os sonhos.


Mas não peças silêncio a quem ri.