quinta-feira, 31 de março de 2011

Pequeno tributo a Lhasa de Sela


Recupero no teu travo

a multidão que flui

aflita

no som da voz

tranquila

que rodeia os edifícios


como


Lhasa cantando em pequenos sopros

enquanto o dia anoitece

a luz se derrama ,a poente,

sobre os pequenos espaços

onde está inscrito o nosso nome


Soon this space will be too small

And I will go outside

segunda-feira, 21 de março de 2011

No dia mundial da Poesia

Desejo que os poemas saiam à rua

As palavras irrompam p'las calçadas.

domingo, 20 de março de 2011

Pequeno apontamento sobre a paisagem


Escrevo nos teus olhos a paisagem

seixos, dedos, pequenos rios

a suave neblina do teu nome

Reencontro

Nos próximos tempos vão ter que ter alguma paciência. Reencontrei-me com as palavras, ainda tacteio, hesitantemente, os sons e os ritmos adequados.

Pode vir a ser um processo complicado escrever e postar regularmente, principalmente com a qualidade que eu creio que atingi em alguns, apenas alguns, dos meus poemas.

Bem Hajam pela paciência e atenção

sábado, 11 de setembro de 2010

Apontamento para a libertação (variação)

A Poesia, como uma ponte entre nós e o mundo

media os silêncios entre as palavras,

reconstruindo, hora a hora, passo a passo,

pequenos intervalos que nos permitem ser gente.


A Poesia, como uma ponte entre nós e o mundo,

recria uma Língua entre o rugido branco,

devolve o sentido ao mundo e às canções.


Devolve as palavras às palavras.


A Poesia,

como uma Ponte entre nós e o mundo,

Liberta-nos, irrevocavelmente, da servidão.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Mr. Cohen

Foi na tua palavra que se fez o mundo.


Pela tua canção desfilam as mulheres,

as nuvens,

a solidão.


Na tua voz desdobram-se as sombras,

o Amor fugindo entre quatro paredes.


There ain’t no cure for love.


Suzanne espera-te

no fim do mundo

junto ao rio

Com o seu corpo

Estendido no orvalho.


As laranjas germinam na China.

E os teus poemas pairam sobre a paisagem.


PS: Por esta hora, Leonard Cohen canta no Pavilhão Atlântico.

Posso não ver a sua voz, mas ouço as suas palavras.


quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Parecendo que não, este blog ainda está activo. Novidades para breve

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Aforismo

Porque a nossa única certeza é este frenesi de viver.

domingo, 25 de abril de 2010

Apontamento para lembrar o 25 de Abril de 1974

Há 36 anos o povo nasceu de novo,
A Liberdade saiu à rua ,
Vermelha ,
Estonteada.

Há 36 anos,
No dia 25 de Abril de 1974,
O mundo clareou um pouco mais,
No lugar de um facho
Um sol.

Há 36 anos houve razão para sorrir.

Mas a Liberdade não é eterna
Nunca podemos parar de lutar.

25 de Abril sempre,
Fascismo nunca mais!

domingo, 21 de março de 2010

Aforismo

No dia da Poesia, celebremos a realidade.

domingo, 14 de março de 2010

Biblioteca

Tenho apenas na biblioteca
As mãos sujas de palavras
A tinta esvaindo-se lentamente.

Tenho apenas na biblioteca
Todos os mundos,
Todos os
Nomes,
Todos os países
desfilando
no olhar.

Tenho apenas na biblioteca
Toda a esperança deste mundo
Reconstruída no papel
acabado de tecer.

Tenho apenas na biblioteca
pena das árvores
que acabaram de morrer.

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Apontamento para imaginar um olhar


Uma falua clara

vinha de Istambul
galgando os limiares
entre o mar e as ilhas.

Desprendia na água o fervor
o sabor
a pimenta
e açafrão,
as línguas
corriam suavemente.


Também tu vieste de Istambul
nesse barco,
passeando no convés entre os trabalhos

A água subia-te
doce,
pelos pés

e

As rosas de Cabul
prendiam-se no teu olhar.


Inspirado em " Maio Maduro Maio" por Zeca Afonso.

domingo, 31 de janeiro de 2010

Lisboa

Poema sujeito a modificações

Li muito e aprendi pouco na tua voz

Como no dia claro,
Aquela vez em Lisboa em que ouvimos os gritos,
O ressoar da cidade, descendo íngreme até ao rio.

Lisboa é uma cidade bonita ao sol,
Pelo brilho das ruas brancas, do Tejo
Os eléctricos que passam de quarto em quarto de hora,
O dia caindo lentamente,
a luz.

E os poetas que passam,
anónimos,
correndo pela rua,
fugindo dos carros.

Apontamento mitológico.

Apenas Ícaro viu as naus
Na sua queda atordoante


Apenas Ícaro viu as naus que voavam
Rente ao mar
Quando abraçou o seio de Tétis
e as Nereides,
E sentiu como um homem pode cair do sol.

Dédalo, enfim,
Partiu.


Criado a 1 de Dezembro de 2009.
Corrigido hoje

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

O Povo e Ulisses

Quando Ulisses percorreu Ítaca por seu pé
Viu crianças novas a brincarem nos quintais
Sonhos vagabundeando tresmalhados
O curral das cabras deixado ao abandono subtil.

Quando Ulisses percorreu Ítaca por seu pé
Ao lado de Penélope e de uma tela inacabada
Viu Telemáco levar por sua mão os cavalos
Para o estábulo real,
Penélope colhendo as flores
O velho cão ladrando aos ares.

Quando Ulisses percorreu Ítaca por seu pé
Poucos o saudaram, esquecidos do rei
Que os abandonou
para defender uma paixão fantasma,
Ocupados nos seus afazeres,
Gerindo a Terra com mãos de água.

Quando Ulisses percorreu Ítaca por seu pé.
Viu que o Povo prospera sem dono,
Sem um mestre escondido num castelo flutuante,
Vindo com a maré e desaparecendo com as mágoas.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Aos meus leitores e comentadores

Quero aqui deixar um agradecimento bastante sincero a todos os que lêem e comentam os meus textos e a minha poesia.

Fico bastante feliz quando percebo que os meus posts agradam e influenciam alguém, sendo uma coisa que me incentiva a continuar a escrever,ou , por vezes a tentar.

Muitas vezes os escritores proclamam que não se interessam por quem lê os seus textos ,poemas ou livros, pois eles valem por si próprios. Para mim, isso é mentira. Uma obra só vale na medida em que influencia o seu espectador( neste caso, o leitor).

Muito Obrigado, dão-me mais vocês a mim do que eu a vós!

sábado, 7 de novembro de 2009

Tributo a Carl Sagan

Hoje é o dia de Carl Sagan. Através dos seus livros aprendi a beleza da Ciência e da Realidade.
Para o celebrar, deixo-vos aqui um poema em tributo. Poderia estar melhor, mas a urgência de o homenagear é demasiada. Considerem-no, talvez, um poema em construção.


Tributo a Carl Sagan.

Dizem que perco a poesia
ao preferir a realidade.
Dizem que me rouba o romantismo
Os sonhos construídos no desejo de morrer.

Que o belo está noutro mundo,
assim como o amor.
Que o que temos é pouco, tão pouco
e que eu devo estar vazio, tão vazio.


Mas como me podem considerar menos romântico
menos poeta, menos completo,
se enquanto eles sonham com o pedaço de Terra que moldaram à sua imagem
Eu sonho o Universo, a glória boreal do Sol, do vácuo,
as explosões massivas das estrelas, os rodopios fascinantes das galáxias,
a poeira das estrelas suspensa num raio de luz.

Mas como me podem eles acusar de cientismo,de brutidão
se vivem numa pequena redoma que não sente nem a aurora
nem o espaço?

Mas como me podem eles acusar de falta de imaginação,
se nem compreendemm o que se estende à nossa volta?

Mas como podem eles ser poetas
se não sabem a realidade?

Porque a Nova Poesia
é a realidade.


Obrigado, Carl Sagan.

sábado, 3 de outubro de 2009

Inquietação

Se eu fosse mago ou todo-poderoso
Conseguiria dar-te a Lua,
Enclausurar as estrelas num redoma de vidro
Para que brilhassem só para ti.

Sou poeta.
Apenas te posso dar as palavras
e os meus lábios.

domingo, 13 de setembro de 2009

De volta...

Apontamento sobre haiku

Nos haikus perde-se o pensamento como um sonho

Quedando o poeta observando docemente

A beleza da simplicidade complexa

Do clamor dos elementos derramados numa flor

Da gota de água que dança na ponta de um raio de sol.


Nos haikus o poeta respira finalmente

Deixando o ar bailar suavemente

Atingindo o corpo como as gotas de orvalho.


Nos haikus vivem-se os momentos

Que se transformam em poesia.


Nos haikus

Vê-se a luz

Existente nas palavras.