Mostrar mensagens com a etiqueta Liberdade. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Liberdade. Mostrar todas as mensagens

sábado, 11 de setembro de 2010

Apontamento para a libertação (variação)

A Poesia, como uma ponte entre nós e o mundo

media os silêncios entre as palavras,

reconstruindo, hora a hora, passo a passo,

pequenos intervalos que nos permitem ser gente.


A Poesia, como uma ponte entre nós e o mundo,

recria uma Língua entre o rugido branco,

devolve o sentido ao mundo e às canções.


Devolve as palavras às palavras.


A Poesia,

como uma Ponte entre nós e o mundo,

Liberta-nos, irrevocavelmente, da servidão.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Mr. Cohen

Foi na tua palavra que se fez o mundo.


Pela tua canção desfilam as mulheres,

as nuvens,

a solidão.


Na tua voz desdobram-se as sombras,

o Amor fugindo entre quatro paredes.


There ain’t no cure for love.


Suzanne espera-te

no fim do mundo

junto ao rio

Com o seu corpo

Estendido no orvalho.


As laranjas germinam na China.

E os teus poemas pairam sobre a paisagem.


PS: Por esta hora, Leonard Cohen canta no Pavilhão Atlântico.

Posso não ver a sua voz, mas ouço as suas palavras.


domingo, 25 de abril de 2010

Apontamento para lembrar o 25 de Abril de 1974

Há 36 anos o povo nasceu de novo,
A Liberdade saiu à rua ,
Vermelha ,
Estonteada.

Há 36 anos,
No dia 25 de Abril de 1974,
O mundo clareou um pouco mais,
No lugar de um facho
Um sol.

Há 36 anos houve razão para sorrir.

Mas a Liberdade não é eterna
Nunca podemos parar de lutar.

25 de Abril sempre,
Fascismo nunca mais!

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Apontamento para imaginar um olhar


Uma falua clara

vinha de Istambul
galgando os limiares
entre o mar e as ilhas.

Desprendia na água o fervor
o sabor
a pimenta
e açafrão,
as línguas
corriam suavemente.


Também tu vieste de Istambul
nesse barco,
passeando no convés entre os trabalhos

A água subia-te
doce,
pelos pés

e

As rosas de Cabul
prendiam-se no teu olhar.


Inspirado em " Maio Maduro Maio" por Zeca Afonso.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

O Povo e Ulisses

Quando Ulisses percorreu Ítaca por seu pé
Viu crianças novas a brincarem nos quintais
Sonhos vagabundeando tresmalhados
O curral das cabras deixado ao abandono subtil.

Quando Ulisses percorreu Ítaca por seu pé
Ao lado de Penélope e de uma tela inacabada
Viu Telemáco levar por sua mão os cavalos
Para o estábulo real,
Penélope colhendo as flores
O velho cão ladrando aos ares.

Quando Ulisses percorreu Ítaca por seu pé
Poucos o saudaram, esquecidos do rei
Que os abandonou
para defender uma paixão fantasma,
Ocupados nos seus afazeres,
Gerindo a Terra com mãos de água.

Quando Ulisses percorreu Ítaca por seu pé.
Viu que o Povo prospera sem dono,
Sem um mestre escondido num castelo flutuante,
Vindo com a maré e desaparecendo com as mágoas.

sábado, 25 de abril de 2009

25 de Abril-O dia da Liberdade


Há 35 anos caiu um regime fascista. Um regime totalitário, que aprisionava as opiniões e os gestos, que paralisava as mentes e as palavras.


Há quem diga que foi um golpe de estado, há quem diga que foi uma revolução , há quem diga que foi um golpe de estado transformado em revolução.

Não sei, sinceramente. Não era vivo nesse tempo e não tenho dados imparciais para esboçar uma opinião.


Sei que se acabou o medo ou que , pelo menos, se reduziu drasticamente.

Sei que a Liberdade voltou.

Sei que se dissesse nessa altura o que digo agora, estaria em Caxias ou no Tarrafal.

Sei que, pelo menos agora, posso falar.


E por isso sinto, festejo e comemoro o 25 de Abril.

Agradeço a quem lutou contra o regime, pela Liberdade.


Ainda há muito que fazer, mas agora, como sempre, depende de nós. Sempre tivemos , individual e colectivamente, a possibilidade de influenciar e mudar a sociedade.

Antigamente era bastante perigoso. Implicava, muitas vezes, um compromisso sério e um ajustamento da vida , uma renúncia a qualquer vida social ou familiar e uma passagem para a clandestinidade, Agora já não, embora exija dedicação, como tudo quando levado a sério na vida.


Mas há uma coisa que não nos podemos esquecer. A Liberdade não é garantida, e não se pode lembrá-la nem lutar por ela apenas um dia por ano.


Tem de ser uma luta e ter uma atenção contínua, uma denúncia permanente de quem nos tenta tirá-la e um carinho firme pelo que é e o que nos dá. Senão, corremos o risco de ficar sem ela. Porque, mesmo sendo um direito fundamental , infelizmente ainda há quem tenha a mania de não a respeitar.


E, principalmente agora, em que muita gente se tornou apática e apolítica , recordo que o que os políticos decidem nos afecta a todos. Não podemos deixar andar, não podemos ficar calado. Temos de falar e de lutar. Não podemos permitir que algumas pessoas ponham a ambição , a crença cega e o interesse próprio à frente da Humanidade.


25 de Abril Sempre

Fascismo nunca mais!

Viva a Liberdade e a Humanidade!


Ps:Por vezes acho que afinal ainda não há tanta Liberdade assim.O tempo virá, temos é que lutar. 04/05/09

domingo, 19 de abril de 2009

Aforismo para apontar a Liberdade

Há pessoas que ainda sabem o que é a Liberdade.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Poema para levantar a noite

Fotografia tirada na Serra do Risco. Vista para o Oceano Atlântico,
numa saída de campo espectacular.
(Proporcionada pelo Núcleo de Geologia da FCT-UNL ;-D).
Tirada Pelo autor deste blogue.


Poema para levantar a noite


Não peças silêncio ao dia e à noite.
Não peças o silêncio dos pássaros
das casas que estremecem
Nem das crianças que riem
dos adultos que gemem
dos cães que ladram.

Não peças silêncio aos cantores de rua
aos doidos da esquina que se deixam levar por comboios
e eléctricos guinando desesperados por Lisboa
aos namorados que sussurram entre si
palavras de amor .

Não me peças silêncio quando te falo
em olhares lancinantes
Ou em sorrisos rasgados
e palavras escolhidas a dedo

Não peças silêncio à cidade que se estende em altos e baixos
desordenada com os gritos das varandas
o som dos pedintes
os condutores a gritarem entre si.

Não peças silêncio aos estudantes que vivem sorrindo
a quem fala sozinho
a quem fecha os olhos nos cacilheiros que percorrem a água
lentamente

Não peças silêncio a quem fala
alegre
e a quem suspira de paixão à beira tejo .

(Se é que há quem suspire de paixão
À beira tejo.)
(Mas toda a gente suspira de paixão
À beira tejo.)

Pede silêncio a quem não diz nada,
aos ruídos brancos disparados
pelos políticos e empresários
que te devoram metaforicamente por dentro
do alto dos seus esgares de quem
se devora metaforicamente por dentro
mentindo e deixando de lado os sonhos.


Mas não peças silêncio a quem ri.

sexta-feira, 20 de março de 2009

aforismo para lutar a falsidade em jeito de lugar comum

Se um dia me guiar por uma ideologia acrítica, e não pelo humanismo claro e a evolução constante, morrerei por dentro.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Comentário espaçado, para descomprimir

Enganei-me, e ao ler os comentários no jornal do Público Online, carreguei no denunciar. O Site não me pediu confirmação. Não será isto demasiado descuidado?

Permitir uma denúncia tão leve e anónima pode levar a excessos de poder e à limitação da liberdade de expressão. A uma censura despreocupada e ao sabor das paixões.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Sobre a Autoridade injustificada

Aceitar a autoridade, sem a questionar, não é um sinal de maturidade. É um sinal de preguiça e medo.

domingo, 23 de novembro de 2008

Algumas Palavras

Há nalgumas palavras um sabor quente, um sentido macio e reconfortante, um pequeno prazer que reside apenas nelas, desligada da pompa e circunstância que muitas vezes mutilam poemas e livros com excesso de letras .

Palavras como doce, maresia, mar, amor, sonho quente e sussurro terno.

São palavras e expressões que me agradam, apenas por dizê-las, como carícias ou beijos suaves e enternecidos. Gosto de as usar, como canções de embalar ( a palavra falua tem para mim um fascínio que remonta a uma infância melodiosa).

E depois há palavras que têm em si o mundo, toda uma forma de viver . Liberdade, Igualdade, Solidariedade, Arte Ciência Amor e Dor, palavras que fazem todo um poema, a que se dedica o tempo e o silêncio.

Palavras que são mais que palavras, são acções que se criam na sua escrita, manifestos de vidas e intenções, são uma parte da história do mundo.

É talvez por isto que eu escrevo, para perceber a realidade , o universo , para me encantar e vos encantar com os sons que o Homem criou ao longo dos tempos e o sentido que semeou nas vozes.


(Faltou-me a Saudade, a Felicidade e a Realidade.)

E a Terra, uma palavra que não se perde na paisagem.

domingo, 12 de outubro de 2008

Sobre a igualdade

Da igualdade.

Muito recentemente, o parlamento chumbou uma proposta de legislação criada pelo BE e pelos Verdes, com vista a legalizar o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Este chumbo é, sem dúvida , uma desonestidade política, principalmente da parte do PS, fundado com base nos princípios socialistas de igualdade e liberdade. Não só isto, como a própria necessidade de se legislar sobre um direito assegurado na constituição (o de igualdade entre sexos e de anti-discriminação ) é só por si uma aberração ultrajante que nunca deveria ter sido verificada.

Como é natural, os sectores conservadores, nomeadamente os religiosos, opuseram-se energicamente ao casamento civil. Esta oposição, justifica-se, segundo eles, porque a homossexualidade é “contra-natura”.

Quando ouço esta expressão fico espantado. Não só porque existem fortes evidências científicas que indicam que a preferência sexual é química e geneticamente determinada, mas porque não consigo perceber como é que uma preferência ou uma propriedade que existe na realidade, e sem ser necessária intervenção humana (mesmo que fosse, se é verificável na realidade, é porque é natural) pode ser considerada anti-natural.

O conceito de natureza é uma generalizações personificativa, ou seja, uma metáfora que engloba e dá um carácter consciente a vários processos, leis físicas e seres vivos que , estando ligados entre si, não fazem necessariamente parte desse ser.

A Natureza, por si, não existe, é apenas um conceito que engloba tudo os seres humanos pensam que transcende a realidade, ideias como deus, a alma e a reencarnação. Logo, a homossexualidade é natural, assim como a heterossexualidade, a bissexualidade e a assexualidade. Tudo o que existe é natural.

E mesmo que, como continuam a defender alguns fanáticos, a orientação sexual fosse uma escolha que se pudesse reverter, não entendo porque é que se teria de o fazer, porque é que consideram a homossexualidade um “comportamento” tão hostil e danoso. Todas as pessoas são iguais, têm os seus sonhos e desejos, os seus pesadelos e virtudes, não sendo um aspecto como a orientação sexual um factor que influencia profundamente o carácter de uma pessoa . E mesmo que o seja, todas as pessoas têm direito à liberdade e à igualdade, não tendo de modelar as suas opiniões apenas porque um determinado sector da sociedade se sente estupidamente ameaçado pelo seu modo de vida. Perceber-se-ia se esse modo de vida lesasse a sociedade, os outros seres humanos (como se fossem delinquentes ou assassinos) mas é óbvio que não o faz.

Todas as pessoas têm direito à felicidade e a um tratamento igual perante a lei, independentemente dos seus valores sexuais, espirituais, morais ou políticos.

Infelizmente, possuímos um governo que se preocupa mais com as sondagens do que com os ideais sobre o qual foi instituído; Ideais e princípios necessários para uma vida feliz e harmoniosa em sociedade, e pelos quais todos nos devíamos manifestar. Quando negam um direito fundamental (um direito de partilhar, legalmente, a nossa vida com a pessoa que amamos) a um certo grupo de pessoa, apenas por serem homossexuais, não negam esse direito só a eles, Negam-no a toda a sociedade.