sábado, 7 de novembro de 2009

Tributo a Carl Sagan

Hoje é o dia de Carl Sagan. Através dos seus livros aprendi a beleza da Ciência e da Realidade.
Para o celebrar, deixo-vos aqui um poema em tributo. Poderia estar melhor, mas a urgência de o homenagear é demasiada. Considerem-no, talvez, um poema em construção.


Tributo a Carl Sagan.

Dizem que perco a poesia
ao preferir a realidade.
Dizem que me rouba o romantismo
Os sonhos construídos no desejo de morrer.

Que o belo está noutro mundo,
assim como o amor.
Que o que temos é pouco, tão pouco
e que eu devo estar vazio, tão vazio.


Mas como me podem considerar menos romântico
menos poeta, menos completo,
se enquanto eles sonham com o pedaço de Terra que moldaram à sua imagem
Eu sonho o Universo, a glória boreal do Sol, do vácuo,
as explosões massivas das estrelas, os rodopios fascinantes das galáxias,
a poeira das estrelas suspensa num raio de luz.

Mas como me podem eles acusar de cientismo,de brutidão
se vivem numa pequena redoma que não sente nem a aurora
nem o espaço?

Mas como me podem eles acusar de falta de imaginação,
se nem compreendemm o que se estende à nossa volta?

Mas como podem eles ser poetas
se não sabem a realidade?

Porque a Nova Poesia
é a realidade.


Obrigado, Carl Sagan.

sábado, 3 de outubro de 2009

Inquietação

Se eu fosse mago ou todo-poderoso
Conseguiria dar-te a Lua,
Enclausurar as estrelas num redoma de vidro
Para que brilhassem só para ti.

Sou poeta.
Apenas te posso dar as palavras
e os meus lábios.

domingo, 13 de setembro de 2009

De volta...

Apontamento sobre haiku

Nos haikus perde-se o pensamento como um sonho

Quedando o poeta observando docemente

A beleza da simplicidade complexa

Do clamor dos elementos derramados numa flor

Da gota de água que dança na ponta de um raio de sol.


Nos haikus o poeta respira finalmente

Deixando o ar bailar suavemente

Atingindo o corpo como as gotas de orvalho.


Nos haikus vivem-se os momentos

Que se transformam em poesia.


Nos haikus

Vê-se a luz

Existente nas palavras.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Inominável

Tenho o sentido das palavras na palma da minha mão. É quente, reconfortante, como o cheiro do verão, dos restos de uma noite quente emanando do pavimento, como nas madrugadas em que o ar se levanta do asfalto, lembrando África e o céu azul.


Não sei que vozes ouço ao longe, além do ladrar dos cães e do vento que me desliza pela espinha, entre a pele e a carne. Só pode ser o mar, clamando e assobiando eternamente.


O mar está azul e o dia amanhece. Visto-me, como e saio para a rua, por entre os carros e o Tejo que serpenteia leve.


Criado:Sábado, 15 de Novembro de 2008, 17:52:36


Modificado: 17-07-09 23:55


Última correcção: 10-08-09 23:46

Testemunho

Não tenho andado pelos lados da escrita.A minha cabeça e o meu corpo, embora extremamente despertos e ansiosos, não têm conseguido juntar as palavras num todo coerente e inventivo.


Embora uma noite, quando estava quase a dormir, tenha composto um poema de torrente, que envolvia sonhos e mares. Adormeci, e agora é apenas uma voz desfragmentada que me ronda os pensamentos.


Não o memorizei, perdendo-o com os fiapos da madrugada.

Nem estas linhas sinto muito criativas, mas prometo não ficar por aqui

.

Prometo que, artisticamente, não morri.

Voltarei em breve, ou assim o espero.

Não.

Voltarei certamente!


Até lá, que pode ser muito brevemente, tentarei colmatar esta lacuna com poemas ou textos que encontre esquecidos.


Por agora, vou de férias.

sábado, 18 de julho de 2009

Apontamento para perder horas

Dizem que nos versos
jaz a felicidade.

Mas nas tuas palavras
apenas ouvi o sabor cálido
e subtil do mar.