domingo, 31 de janeiro de 2010

Apontamento mitológico.

Apenas Ícaro viu as naus
Na sua queda atordoante


Apenas Ícaro viu as naus que voavam
Rente ao mar
Quando abraçou o seio de Tétis
e as Nereides,
E sentiu como um homem pode cair do sol.

Dédalo, enfim,
Partiu.


Criado a 1 de Dezembro de 2009.
Corrigido hoje

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

O Povo e Ulisses

Quando Ulisses percorreu Ítaca por seu pé
Viu crianças novas a brincarem nos quintais
Sonhos vagabundeando tresmalhados
O curral das cabras deixado ao abandono subtil.

Quando Ulisses percorreu Ítaca por seu pé
Ao lado de Penélope e de uma tela inacabada
Viu Telemáco levar por sua mão os cavalos
Para o estábulo real,
Penélope colhendo as flores
O velho cão ladrando aos ares.

Quando Ulisses percorreu Ítaca por seu pé
Poucos o saudaram, esquecidos do rei
Que os abandonou
para defender uma paixão fantasma,
Ocupados nos seus afazeres,
Gerindo a Terra com mãos de água.

Quando Ulisses percorreu Ítaca por seu pé.
Viu que o Povo prospera sem dono,
Sem um mestre escondido num castelo flutuante,
Vindo com a maré e desaparecendo com as mágoas.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Aos meus leitores e comentadores

Quero aqui deixar um agradecimento bastante sincero a todos os que lêem e comentam os meus textos e a minha poesia.

Fico bastante feliz quando percebo que os meus posts agradam e influenciam alguém, sendo uma coisa que me incentiva a continuar a escrever,ou , por vezes a tentar.

Muitas vezes os escritores proclamam que não se interessam por quem lê os seus textos ,poemas ou livros, pois eles valem por si próprios. Para mim, isso é mentira. Uma obra só vale na medida em que influencia o seu espectador( neste caso, o leitor).

Muito Obrigado, dão-me mais vocês a mim do que eu a vós!

sábado, 7 de novembro de 2009

Tributo a Carl Sagan

Hoje é o dia de Carl Sagan. Através dos seus livros aprendi a beleza da Ciência e da Realidade.
Para o celebrar, deixo-vos aqui um poema em tributo. Poderia estar melhor, mas a urgência de o homenagear é demasiada. Considerem-no, talvez, um poema em construção.


Tributo a Carl Sagan.

Dizem que perco a poesia
ao preferir a realidade.
Dizem que me rouba o romantismo
Os sonhos construídos no desejo de morrer.

Que o belo está noutro mundo,
assim como o amor.
Que o que temos é pouco, tão pouco
e que eu devo estar vazio, tão vazio.


Mas como me podem considerar menos romântico
menos poeta, menos completo,
se enquanto eles sonham com o pedaço de Terra que moldaram à sua imagem
Eu sonho o Universo, a glória boreal do Sol, do vácuo,
as explosões massivas das estrelas, os rodopios fascinantes das galáxias,
a poeira das estrelas suspensa num raio de luz.

Mas como me podem eles acusar de cientismo,de brutidão
se vivem numa pequena redoma que não sente nem a aurora
nem o espaço?

Mas como me podem eles acusar de falta de imaginação,
se nem compreendemm o que se estende à nossa volta?

Mas como podem eles ser poetas
se não sabem a realidade?

Porque a Nova Poesia
é a realidade.


Obrigado, Carl Sagan.

sábado, 3 de outubro de 2009

Inquietação

Se eu fosse mago ou todo-poderoso
Conseguiria dar-te a Lua,
Enclausurar as estrelas num redoma de vidro
Para que brilhassem só para ti.

Sou poeta.
Apenas te posso dar as palavras
e os meus lábios.

domingo, 13 de setembro de 2009

De volta...

Apontamento sobre haiku

Nos haikus perde-se o pensamento como um sonho

Quedando o poeta observando docemente

A beleza da simplicidade complexa

Do clamor dos elementos derramados numa flor

Da gota de água que dança na ponta de um raio de sol.


Nos haikus o poeta respira finalmente

Deixando o ar bailar suavemente

Atingindo o corpo como as gotas de orvalho.


Nos haikus vivem-se os momentos

Que se transformam em poesia.


Nos haikus

Vê-se a luz

Existente nas palavras.