domingo, 23 de novembro de 2008

Feliz

Estou apenas feliz
como num dia de Sol
ou na brisa sentida da noite
debaixo do calor das estrelas claras.

Estou apenas feliz e basta.

Poema aparecido

Há um poema escondido na paisagem,
No silêncio da noite e nas palavras cantadas
Que se espalham pelo quarto.

Um poema que se esconde, irrequieto,
Por entre as luzes brancas e o licor
Que resta no copo vazio e mudo.

Talvez apenas se esconda no meu olhar,
Por entre a suave alegria que dança
Nos sonhos que vagueiam plácidos.

Não sei de onde veio
Mas está aqui ,
Esta alegria.

E também o poema,
Como uma canção inadiável.

Um desabafo contente no adiantar da noite.

Algumas Palavras

Há nalgumas palavras um sabor quente, um sentido macio e reconfortante, um pequeno prazer que reside apenas nelas, desligada da pompa e circunstância que muitas vezes mutilam poemas e livros com excesso de letras .

Palavras como doce, maresia, mar, amor, sonho quente e sussurro terno.

São palavras e expressões que me agradam, apenas por dizê-las, como carícias ou beijos suaves e enternecidos. Gosto de as usar, como canções de embalar ( a palavra falua tem para mim um fascínio que remonta a uma infância melodiosa).

E depois há palavras que têm em si o mundo, toda uma forma de viver . Liberdade, Igualdade, Solidariedade, Arte Ciência Amor e Dor, palavras que fazem todo um poema, a que se dedica o tempo e o silêncio.

Palavras que são mais que palavras, são acções que se criam na sua escrita, manifestos de vidas e intenções, são uma parte da história do mundo.

É talvez por isto que eu escrevo, para perceber a realidade , o universo , para me encantar e vos encantar com os sons que o Homem criou ao longo dos tempos e o sentido que semeou nas vozes.


(Faltou-me a Saudade, a Felicidade e a Realidade.)

E a Terra, uma palavra que não se perde na paisagem.

domingo, 16 de novembro de 2008

Para Todos.

Há na vida um poema imenso que se escreve de acasos, de encontros ocasionais, de olhares leves e amizades duradouras. É um poema que se escreve no tempo e nos passos de cada um.

Por isso é que a Humanidade é um povo de poetas.

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

A Procura

Este poema é uma memória.


A Procura


Queres sonhos
gastos
por passarem em milhares de olhos.

Palavras usadas
perdidas
vazias.

Queres enchê-las com
a matéria
das tuas próprias
ambições.

Ambições roubadas
escondidas
vindas de um tempo
em que as palavras ainda
faziam sentido.

Em que não valia a pena
questionar.

Sempre valeu a pena questionar.

Sempre valeu
a
pena
perguntar ,buscar
aprender e
compreender.

O caminho mais fácil
é aquele que te leva
a lugar nenhum.

Por isso
te ofereço
apenas
(apenas?)
a vida.

Começa por aí.

domingo, 12 de outubro de 2008

Sobre a igualdade

Da igualdade.

Muito recentemente, o parlamento chumbou uma proposta de legislação criada pelo BE e pelos Verdes, com vista a legalizar o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Este chumbo é, sem dúvida , uma desonestidade política, principalmente da parte do PS, fundado com base nos princípios socialistas de igualdade e liberdade. Não só isto, como a própria necessidade de se legislar sobre um direito assegurado na constituição (o de igualdade entre sexos e de anti-discriminação ) é só por si uma aberração ultrajante que nunca deveria ter sido verificada.

Como é natural, os sectores conservadores, nomeadamente os religiosos, opuseram-se energicamente ao casamento civil. Esta oposição, justifica-se, segundo eles, porque a homossexualidade é “contra-natura”.

Quando ouço esta expressão fico espantado. Não só porque existem fortes evidências científicas que indicam que a preferência sexual é química e geneticamente determinada, mas porque não consigo perceber como é que uma preferência ou uma propriedade que existe na realidade, e sem ser necessária intervenção humana (mesmo que fosse, se é verificável na realidade, é porque é natural) pode ser considerada anti-natural.

O conceito de natureza é uma generalizações personificativa, ou seja, uma metáfora que engloba e dá um carácter consciente a vários processos, leis físicas e seres vivos que , estando ligados entre si, não fazem necessariamente parte desse ser.

A Natureza, por si, não existe, é apenas um conceito que engloba tudo os seres humanos pensam que transcende a realidade, ideias como deus, a alma e a reencarnação. Logo, a homossexualidade é natural, assim como a heterossexualidade, a bissexualidade e a assexualidade. Tudo o que existe é natural.

E mesmo que, como continuam a defender alguns fanáticos, a orientação sexual fosse uma escolha que se pudesse reverter, não entendo porque é que se teria de o fazer, porque é que consideram a homossexualidade um “comportamento” tão hostil e danoso. Todas as pessoas são iguais, têm os seus sonhos e desejos, os seus pesadelos e virtudes, não sendo um aspecto como a orientação sexual um factor que influencia profundamente o carácter de uma pessoa . E mesmo que o seja, todas as pessoas têm direito à liberdade e à igualdade, não tendo de modelar as suas opiniões apenas porque um determinado sector da sociedade se sente estupidamente ameaçado pelo seu modo de vida. Perceber-se-ia se esse modo de vida lesasse a sociedade, os outros seres humanos (como se fossem delinquentes ou assassinos) mas é óbvio que não o faz.

Todas as pessoas têm direito à felicidade e a um tratamento igual perante a lei, independentemente dos seus valores sexuais, espirituais, morais ou políticos.

Infelizmente, possuímos um governo que se preocupa mais com as sondagens do que com os ideais sobre o qual foi instituído; Ideais e princípios necessários para uma vida feliz e harmoniosa em sociedade, e pelos quais todos nos devíamos manifestar. Quando negam um direito fundamental (um direito de partilhar, legalmente, a nossa vida com a pessoa que amamos) a um certo grupo de pessoa, apenas por serem homossexuais, não negam esse direito só a eles, Negam-no a toda a sociedade.