domingo, 28 de dezembro de 2008

Exortação

Vivam e sejam felizes
por entre os dias
de luz e sol
de chuva e fogo
de sonhos caídos e desejos espalhados.

Deixem os julgamentos para trás,
os mundos iludidos e as teologias castradoras,
Pois neste mundo tudo é possível,
sonhando o necessário
e trabalhando ainda mais.

Rejeitem os homens de dedo em riste
de voz grossa e
cara congestionada,
debitando frases insonantes,
pendendo da autoridade esfiapada
de um pedestal de barro e desespero
Que vos gritam aos ouvidos a vossa perdição.

São eles que perdem a vida enquanto tentam ganhar outra.

Esta realidade, a quem alguns chamam insuficiente e desgraçada
é mais do que eles desejam ter nos seus sonhos mais selvagens.

Vão !Vivam! Gozem! Riam!
Somos apenas mas somos tanta coisa e tanto
Quem nos diz mínimos não sabe ver bem
não sabe sentir bem
Não sabe ficar maravilhado com o que há
E há tanto, porra, há tanto!

Há tanto entre o Sol e a Terra,
entre os limites expansíveis do universo
Mais do que somos capazes de aguentar.
Talvez não, pois a mente é uma coisa magnífica,
subestimada por quem tenta governar a Terra
e escravizar os povos em ilusões trementes.

E se há mundos e fundos só esgravatando a superfície,
porquê continuar a acreditar em outras realidades?

Por nada.

Porque vivemos tanto e tanto e tanto
Que, se quebrarmos amarras e enxotarmos as delusões
Podemos tentar beber o mundo até à última gota
e ainda ter um oceano no qual nadar.

Porquê?

Porque sonhar é preciso,viver é preciso , e saber também é preciso.

domingo, 23 de novembro de 2008

Feliz

Estou apenas feliz
como num dia de Sol
ou na brisa sentida da noite
debaixo do calor das estrelas claras.

Estou apenas feliz e basta.

Poema aparecido

Há um poema escondido na paisagem,
No silêncio da noite e nas palavras cantadas
Que se espalham pelo quarto.

Um poema que se esconde, irrequieto,
Por entre as luzes brancas e o licor
Que resta no copo vazio e mudo.

Talvez apenas se esconda no meu olhar,
Por entre a suave alegria que dança
Nos sonhos que vagueiam plácidos.

Não sei de onde veio
Mas está aqui ,
Esta alegria.

E também o poema,
Como uma canção inadiável.

Um desabafo contente no adiantar da noite.

Algumas Palavras

Há nalgumas palavras um sabor quente, um sentido macio e reconfortante, um pequeno prazer que reside apenas nelas, desligada da pompa e circunstância que muitas vezes mutilam poemas e livros com excesso de letras .

Palavras como doce, maresia, mar, amor, sonho quente e sussurro terno.

São palavras e expressões que me agradam, apenas por dizê-las, como carícias ou beijos suaves e enternecidos. Gosto de as usar, como canções de embalar ( a palavra falua tem para mim um fascínio que remonta a uma infância melodiosa).

E depois há palavras que têm em si o mundo, toda uma forma de viver . Liberdade, Igualdade, Solidariedade, Arte Ciência Amor e Dor, palavras que fazem todo um poema, a que se dedica o tempo e o silêncio.

Palavras que são mais que palavras, são acções que se criam na sua escrita, manifestos de vidas e intenções, são uma parte da história do mundo.

É talvez por isto que eu escrevo, para perceber a realidade , o universo , para me encantar e vos encantar com os sons que o Homem criou ao longo dos tempos e o sentido que semeou nas vozes.


(Faltou-me a Saudade, a Felicidade e a Realidade.)

E a Terra, uma palavra que não se perde na paisagem.

domingo, 16 de novembro de 2008

Para Todos.

Há na vida um poema imenso que se escreve de acasos, de encontros ocasionais, de olhares leves e amizades duradouras. É um poema que se escreve no tempo e nos passos de cada um.

Por isso é que a Humanidade é um povo de poetas.

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

A Procura

Este poema é uma memória.


A Procura


Queres sonhos
gastos
por passarem em milhares de olhos.

Palavras usadas
perdidas
vazias.

Queres enchê-las com
a matéria
das tuas próprias
ambições.

Ambições roubadas
escondidas
vindas de um tempo
em que as palavras ainda
faziam sentido.

Em que não valia a pena
questionar.

Sempre valeu a pena questionar.

Sempre valeu
a
pena
perguntar ,buscar
aprender e
compreender.

O caminho mais fácil
é aquele que te leva
a lugar nenhum.

Por isso
te ofereço
apenas
(apenas?)
a vida.

Começa por aí.

domingo, 12 de outubro de 2008

Sobre a igualdade

Da igualdade.

Muito recentemente, o parlamento chumbou uma proposta de legislação criada pelo BE e pelos Verdes, com vista a legalizar o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Este chumbo é, sem dúvida , uma desonestidade política, principalmente da parte do PS, fundado com base nos princípios socialistas de igualdade e liberdade. Não só isto, como a própria necessidade de se legislar sobre um direito assegurado na constituição (o de igualdade entre sexos e de anti-discriminação ) é só por si uma aberração ultrajante que nunca deveria ter sido verificada.

Como é natural, os sectores conservadores, nomeadamente os religiosos, opuseram-se energicamente ao casamento civil. Esta oposição, justifica-se, segundo eles, porque a homossexualidade é “contra-natura”.

Quando ouço esta expressão fico espantado. Não só porque existem fortes evidências científicas que indicam que a preferência sexual é química e geneticamente determinada, mas porque não consigo perceber como é que uma preferência ou uma propriedade que existe na realidade, e sem ser necessária intervenção humana (mesmo que fosse, se é verificável na realidade, é porque é natural) pode ser considerada anti-natural.

O conceito de natureza é uma generalizações personificativa, ou seja, uma metáfora que engloba e dá um carácter consciente a vários processos, leis físicas e seres vivos que , estando ligados entre si, não fazem necessariamente parte desse ser.

A Natureza, por si, não existe, é apenas um conceito que engloba tudo os seres humanos pensam que transcende a realidade, ideias como deus, a alma e a reencarnação. Logo, a homossexualidade é natural, assim como a heterossexualidade, a bissexualidade e a assexualidade. Tudo o que existe é natural.

E mesmo que, como continuam a defender alguns fanáticos, a orientação sexual fosse uma escolha que se pudesse reverter, não entendo porque é que se teria de o fazer, porque é que consideram a homossexualidade um “comportamento” tão hostil e danoso. Todas as pessoas são iguais, têm os seus sonhos e desejos, os seus pesadelos e virtudes, não sendo um aspecto como a orientação sexual um factor que influencia profundamente o carácter de uma pessoa . E mesmo que o seja, todas as pessoas têm direito à liberdade e à igualdade, não tendo de modelar as suas opiniões apenas porque um determinado sector da sociedade se sente estupidamente ameaçado pelo seu modo de vida. Perceber-se-ia se esse modo de vida lesasse a sociedade, os outros seres humanos (como se fossem delinquentes ou assassinos) mas é óbvio que não o faz.

Todas as pessoas têm direito à felicidade e a um tratamento igual perante a lei, independentemente dos seus valores sexuais, espirituais, morais ou políticos.

Infelizmente, possuímos um governo que se preocupa mais com as sondagens do que com os ideais sobre o qual foi instituído; Ideais e princípios necessários para uma vida feliz e harmoniosa em sociedade, e pelos quais todos nos devíamos manifestar. Quando negam um direito fundamental (um direito de partilhar, legalmente, a nossa vida com a pessoa que amamos) a um certo grupo de pessoa, apenas por serem homossexuais, não negam esse direito só a eles, Negam-no a toda a sociedade.

domingo, 28 de setembro de 2008

Em defesa do LHC

Compreender, ou tentar compreender o Universo não é fácil. Construir uma máquina com o LHC é um feito maravilhoso, que exigiu a perícia, o génio e o trabalho de uma multidão de cientistas e engenheiros esforçados, inteligentes, criativos e pacientes.
O LHC é provavelmente a máquina mais complexa e intrincada alguma vez construída, e os resultados que saírem das experiências irão, muito certamente, mudar a face do conhecimento científico.
Além disso, como aconteceu com a Ciência Espacial, permitirão, muito certamente, um desenvolvimento da tecnologia existente, que poderá beneficiar grandemente áreas como a Informática,a Medicina e a Física e a Engenharia em geral.

Recentemente ,houve um avaria.É natural, mesmo que desanimador. Como já referi, é uma estrutura massiva, gigantesca. Ninguém é perfeito e nem todos os erros se conseguem prever
.O que não tira mérito nem ao propósito nem à concepção do LHC, muito pelo contrário.

Obviamente, já houve quem, por esta avaria, condenasse o LHC ao fracasso. Quem acusasse os defensores e promotores desta maravilha da engenharia e da Ciência de ambição desmedida, prevendo assim o seu falhanço contínuo e permanente.
Esta atitude é uma apologia do obscurantismo e da ignorância, um produto do medo e da arrogância. De quem pensa que o conhecimento é perigoso, preferindo abdicar da Liberdade que ele nos dá pela falsa sensação de segurança que sentem sem ele:
Lá por não saberem o que se passa e o que acontece, não quer dizer que nada se passa e nada aconteça.

Quem toma esta atitude subestima a Ciência, os cientistas e os engenheiros , o esforço da Humanidade em geral, e a capacidade Humana de conhecer.
Não só o faz, como se coloca num perigo auto-induzido:
Porque só conhecendo a realidade, ou tentando conhecer realidade é que podemos tomar as atitudes e decisões que nos proporcionarão eficazmente uma vida feliz, segura, livre e satisfeita.
Para mais, o conhecimento e a informação que a era em que vivemos nos proporciona é um privilégio e um prazer que deveria ser apoiado por toda a Humanidade e não deveria ser negado a ninguém.



Este post é uma reacção ao comentário de Manuel Antunes na Visão nº 812, página 22, que critica a construção do LHC, devido aos problemas observados. Excerto:

"Um aparelho gigantesco, instalado num túnel de 27 quilómetros, algures na fronteira entre a França e a Suíça, tem sofrido problemas sucessivos. E diziam os cientistas que, com ele, poderiam decifrar o mistério da origem do Universo...A ambição do Homeme não tem limites, mesmo quando eles parecem ir além das suas capacidades. Como escreveu esta semana João César das Neves num jornal diário "deve ser horrível ser Deus". "

sábado, 20 de setembro de 2008

Para a Soraia

Este poema é para uma amiga minha que vai estudar para a República Checa:

Para a Soraia.

É uma vez um mundo novo
estendendo-se pela planície dos teus olhos.

Pelo teu desejo
fizeste mais do que muitos;
Conquistaste-o a pulso
numa terra nova.

Outras linguagens
cobrirão os teus sonhos.
Outros horizontes
passarão pela paisagem.

Mas viver num mundo novo
Não significa abandonares o antigo.

Porque agora a Terra fez-se tão pequena
que diminuir a saudade está apenas a um passo.

Portanto segue o sonho
para onde o sonho te levar.

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Ode a uma Desconhecida

Há no tempo apenas o teu sabor. No vento apenas o teu olhar. E para onde quer que olhe, para onde quer que vá, o teu sonho precede-me, desconhecida. O sonho de alguém acidental, de quem passa por entre a floresta de cheiros e palavras que pairam pela cidade.
É nessa floresta que nos enleamos os dois, vagueando deliciosamente pelas calçadas. Acidentalmente perdidos, até os sonhos chocarem e os olhares se cruzarem na mesma linha que percorre o princípio do luar ou o nascer do Sol.





Variação em poesia: Ode a uma Desconhecida

Ode a uma Desconhecida

Há no tempo
apenas o teu sabor.
Apenas os teus sonhos cantantes.

O Mundo pendente no som das tuas palavras,
dos teus desejos.

Não o Mundo;
Eu.

Talvez nunca te saiba,
Talvez nunca existas
a não ser em mim.

Não me estás destinada,
porque não há Destino
nem karma
nem nada.


Mas de tanta gente,
de tantos olhos percorrendo o Horizonte,
Algum olhar há de se cruzar com o meu.






Variação em Prosa:Ode a Uma Desconhecida

domingo, 7 de setembro de 2008

O Vento (Apontamento.)

O Vento

Corre o vento
nas veias do dia.

Corre,
aragem fria
estendendo os braços
arrepiando os poros
desenhando sorrisos
no orvalho matinal.




Este é um pequeno poema que se quer (que eu quero) maior. Enquanto não se escreve (enquanto não o escrevo), brindo-vos com esta introdução, de modo a colmatar as faltas de regularidade. Para breve está mais um post.

Ps: Não sei. Talvez o deixe assim, pequeno e conciso, alegre , sem o povoar de palavras talvez inúteis .
Logo se verá.

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Amor

O Amor não deixa de ser menos Amor apenas por ser explicável.

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Línguas

As línguas são
poemas condensados
na boca de mulheres,
homens
e crianças.

Rolam suavemente
pelo vento,
pela suavidade langorosa das palavras,
contando a história dos tempos
e os tempos da história.

E com elas cantam as pessoas,
fragmentos de sonhos caídos
do espaço.
Poeira de estrelas,
átomos de luz e sombra.

E com elas se constrói o infinito,
cantando,
pois só os sons mais puros
podem alegrar o Universo,
ou melhor,
este planeta pulsante que desliza
por um sistema onde pulula
o vazio, a matéria e a luz apenas.

terça-feira, 26 de agosto de 2008

O Poema

Não te deixes prender aos preceitos da Rima,
Deixa o verbo correr, livremente, à vontade,
e deixa-o procurar o pomo de verdade,
que tanto anima,
a sua ânsia de viver e progredir.”

Excerto do poema Exortação de António Vicente Campinas



O Poema é um conto dançante.

Manejando as palavras como os tecelões manejam a seda, o Poema constrói música, enredando-a suavemente à volta da história que tem de ser contada, modificando-a e metamorfoseando-a até atingir um nível de elegância e sensualidade que sublime e harmonize a força original.
Porque um poema, como um conto, começa sempre numa frase, num rascunho de uma ideia ou pedra basilar que consolide todo o poema.

Como uma árvore, o Poema necessita de raízes e tronco, sendo o primeiro a sua essência , ou apenas a vontade do autor ( onde o Poema se alimenta, e de quem o poema nasce) e o segundo a chave , o mastro em que todo o poema se sustêm (uma ideia, uma palavra, um odor, ou tom, que emana do poema, quando saboreado)
Muitos Poemas são gritos desesperados, outros danças aparentes, alguns apenas o sabor de uma tarde suave guardada nas palavras de quem o escreveu. Mas todos os poemas expressam uma ideia, mesmo que vaga, do autor e do ambiente onde o autor está, ou estava, inserido.

No entanto, como todas as obras de arte, um Poema tende a mascarar-se para quem o lê,pois ao ler, o indíviduo interage activamente com o Poema, não se deixa apenas estar sentado, acabando por reescrever mentalmente o poema de acordo com as suas próprias sensações e experiências.

Porque somos todos filhos da mesma cepa e as emoções são universais:
Mesmo depois de toda a evolução sofrida ao longo de gerações e gerações e gerações, cada um de nós continua a ter em si um vestígio dos primeiros seres humanos.

Não só dos seus medos e ilusões, mas também dos seus desejos e alegrias.
E, principalmente, da semente de imaginação que foi desabrochando ao longo dos tempos e das palavras.

domingo, 17 de agosto de 2008

Para Breve

Na Língua, cálida, rolam os poemas que gostaria de escrever.
Mas os olhos, como estrelas, afastam-se em direcção ao infinito , à deriva, levando consigo todos os sonhos do mundo.

Breve, Breve
voltarão.

quinta-feira, 24 de julho de 2008

A magia não existe...

Apenas os Homens,
Os sonhos dos Homens
E os trabalhos dos Homens.

Não há caminhos mais fáceis.

segunda-feira, 14 de julho de 2008

Reflexão inconstante

Há, por entre os sonhos esquecidos, aquele encanto ledo e frágil, quase efémero, como o orvalho que se esquiva das ervas espraiadas pelos jardins da cidade. Quando lembrados neste alvor de aurora, recordam-nos o que fomos e o que somos, ou seja, edifício de emoções, pensamentos e memórias que fomos empilhando ao longo da nossa história:

Como uma cidade em constante mudança, ora crescendo ora encolhendo, consoante a hora do dia ou da noite, transformamo-nos e reorganizamo-nos, de acordo com as exigências do dia e com as necessidades do ser.

Mas existem aquelas alturas em que voltamos aos sonhos esquecidos, aos sonhos que foram relegados para alturas mais oportunas. Por vezes e espantamo-nos com diferença que sentimos, com o tempo que passou.
Sentimos uma solidez por os nossos sonhos serem agora mais reais, já quase concretizados. Como na altura em que éramos crianças e queríamos ser grandes, crescidos.

Agora já somos grandes.
Crescidos.

Homens e Mulheres na flor da idade.

Noutras alturas, conciliamos o sonho com a realidade, com um sorriso que ilumina o dia, como a madrugada entrando pelas festas das casas adormecidas. Atingimos o nosso objectivo, através da inteligência, paciência e da necessidade de querer.

Como este texto, por exemplo. Era um sonho esquecido, adiado pela falta de tempo e vontade. E de repente, como quem não quer a coisa, sai assim, quase ininterruptamente, como um suspiro de alívio ,
uma lamentação contente e inconstante.

Em suma,
uma lamentação feliz.

Há sempre sonhos na vida das pessoas. Mais do que um, normalmente.
E continuo a pensar que a melhor forma de viver é transformar em sonho a vida que se leva e as coisas que se fazem.

Gozar a vida, pois somos a vida que fazemos.

Pois, para não desperdiçar um segundo, não podemos pensar em como poderia ter sido, mas sim que, como foi, foi bastante bom.
E, se não foi bom, tornamos o próximo ainda melhor.

Enfim:
Carpe diem , porque és ele.

sábado, 12 de julho de 2008

Catarse verbal

Daqui


Catarse verbal


Sulcos de fogo cruzam a pele rasgada.

Porque para lá dos olhos há sonhos confusos,
e para lá das religiões há pessoas cansadas.

Todos somos deuses que vagueiam e
correm por salpicos de loucura e gozo
e lama.


(incandescente
e ao mesmo tempo fria,
tão fria....).

(Somos)
Delírios lançados ao vento estelar.
Inquietos por saber a sua própria mortalidade
e as limitações que sustêm um corpo.

Mas não nos lembramos
que o sonho comanda a vida
e que o homem comanda o sonho
e que com muitos pares de mãos
é o mundo mudado
no tempo que um fósforo leva a arder
na chama de um sonho concretizado.

Breve (Aviso!)

Brevemente

mais um texto,
talvez mais um poema
mais um sonho.

Aqui, a seguir,
posto um poema velhote,
com alguns remendos do presente.
Esperem por mais!

segunda-feira, 9 de junho de 2008

Escuta o som que vem do riacho.

Escuta-se, pelas janelas caiadas de branco e carmesim, o som do sol caindo entre o ciciar dos pinheiros. Sente-se a terra a revolver-se, fluida, entre mantos e mantos de magma flamejante, rios surdos correndo por entre os vales e montanhas das fronteiras telúricas. E, por cima da seda arenítica coberta pelas ervas que crescem lentamente, sentem-se as correntes do vento e o cantar dos pássaros, das andorinhas que voltam certas, como as flores que cobrem, certamente, as oliveiras estendidas pelos solos distantes, e as amendoeiras que nascem por entre as colinas das Serras , entrecortadas pelos arroios esquecidos e pelas sombras do entardecer.
E eles caminham, calmamente, com a sabedoria de quem não esqueceu o passado e a quem não aflige o futuro, aproveitando a brisa da tarde, por entre a melodia que se escapa do anoitecer e do Sol que brilha com esplendor.
E são felizes, pois sabem que viver é viver.

E nós também caminhamos, ou queremos caminhar.

quarta-feira, 4 de junho de 2008

Alguns Sonhos.

Todos temos sonhos escondidos, que se escapam por entre os dedos como as cinzas do nascer da aurora.
Sonhos que ardem, tresmalhando-se aos poucos por entre os raios de sol ou a chuva tímida que banha, como orvalho, o despertar estremunhado por entre o som de uma nova manhã apressada.
Guardamo-los todos os dias entre os olhos, por entre os lábios, em sussurros inaudíveis. E vivemos todos os dias com esses sonhos entalhados na consciência.

E há quem os tenha e há quem os crie e há quem os viva.

Todos somos animais. Desde a primeira célula viva, dotada de animação e de capacidade de se reproduzir, até à complexa simbiose celular que nós somos, passaram milhões de anos.
Anos em que, por necessidade ambiental e selecção natural, as células se foram desenvolvendo através de mortes e cooperações. Até nos formarem, várias foram as espécies que morreram (Quase todas as espécies morreram.)
E cada um de nós está aqui por um golpe de sorte. Mas também por vigor.

Fomos construídos pelo tempo , pelo meio e pela urgência de viver , como castelos andantes , pensantes e sensíveis a cada desejo que nos percorre o corpo e vagabundeia pela mente .

E agora que sabem de onde vieram, sabem porque é que vieram?
Por nada.
Razão nenhuma.
A vida não tem um sentido absoluto, não tem razão exterior.
Mas tem razão interior. Cada sonho de cada um. O que consideramos essencial:

Família,
Prazer,
Sucesso,
Amor,
Liberdade,
Desejo
Fraternidade.

E ainda bem que não há razão exterior nem objectivo que sejamos obrigados a completar. Isso permite-nos escolher os nossos. Permite-nos viver de consciência tranquila e com um sorriso nos lábios, sem temer os castigos eternos.
Aceitar o que realmente é e aceitar o que não sabemos, é, assim, bem melhor que inventar desculpas e justificações mal formadas.

Portanto não se preocupem. Vivam e deixem viver. Desfrutem, pois só estamos cá uma vez, e, bem vistas as coisas, até é agradável.
E façam os outros desfrutar.

É isto que têm em comum os sonhos da Humanidade.

Sonho de um dia de Verão

Recortamos o Sol por entre as nuvens, ao entardecer.
Enquanto a cidade caminha lentamente, observamos a luz que desmaia, iluminando a poeira que baila por entre os entalhes do ar.
É um daqueles dias em que se vence a chuva e se volta a imaginar o Sol na sua verdadeira imponência, uma esfera em fogo, enérgica e dinâmica, revolvendo-se e queimando-se interminavelmente.
Em que se volta a imaginar as reacções no núcleo, transformando a matéria e libertando toda a energia que nos domina.

E nos maravilhamos com o que existe.
E nos voltamos a maravilhar com o que realmente existe.


E enquanto vagueamos por entre a luz derramada, talvez sentados num banco ,com a brisa que nos anima, ou à beira da corrente de um rio que se enleia por entre as pedras e o cheiro a maresia, sentimos o que realmente somos, e isso enche-nos com a calma , os sonhos e o prazer que se esconde por detrás das preocupações.
E sabemos que não precisamos de mais do que o que existe e o que é, e que o mundo, todo o espaço universal, não tem propósito, nem consciência, mas faz sentido e é belo.


E entendemos que perceber o que existe é adorar o que existe, e que todas as explicações reais são melhores que as inventadas. Percebemos que o Sol ser o que é o Sol não lhe tira imponência nem poder, e que o Homem ser o que é o Homem, não ser o fim nem o centro de nada , não nos tira a importância que sentimos.

E que estar tudo ao nosso alcance nos dá o poder de mudar o mundo.

Continuamos a
Recortar o Sol, ao entardecer,
por entre o deslizar das palavras.

Adeus a Deus

Rejubilai irmãos:
acabou-se o medo.

Escutai , Escutai:
morreram os deuses.
Morreram os deuses
nos corações do Homem

Caíram as crenças
as vestes sacerdotais e
as místicas falidas.

Caiu o pecado
em pó e vento e cinzas.

Caiu o medo
e o pesadelo.

E caíram as esperanças
nas mãos dos Homens.

Desceram do céu.
E caíram aqui

Porque sempre foram nossas
e não de um deus imaginário.

Foi sempre nosso o poder
de mudar o mundo.

E de viver enquanto existimos.

Porque viver enquanto mortos
é uma impossibilidade científica.
Inventada para aqueles que têm medo
de agarrar o dia e acariciá-lo com as mãos suadas.

sábado, 17 de maio de 2008

Os sonhos

E assim escrevo um pouco, para saberem que o sonho ainda arde.
Porque todos os sonhos continuam a arder
Mesmo apagados , ficam sempre as cinzas para alguém os colher
e os modelar a seu prazer.

terça-feira, 15 de abril de 2008

Sabedoria

O importante não é só saber, mas saber saber.

segunda-feira, 14 de abril de 2008

Manifesto

Manifesto.


Defendo a Iluminação pela Razão Defendo a Ciência Defendo o Conhecimento.
Defendo a arte correndo pelos corpos.
A exaltação de si,
o conhecimento de tudo.
Razão, Emoção, Sensação.
Amor, Liberdade e Dor.
Ciência, Arte e Sonho.


Rejeito o obscurantismo.
O cultivo de deuses e monstros que representam a ignorância e o medo do desconhecido.
Contentores que servem de repositório aos medos, que crescem e atacam os homens, agrilhoando-os a algozes que lhes mutilam a razão e a liberdade, e os guiam, histéricos, para a morte.

Porque não é pelo medo de morrer que se procura o duvidoso conforto de não se pensar, mas sim pelo medo de viver.
Porque quando se vive sofre-se, mas também se goza.
Principalmente.

domingo, 9 de março de 2008

La Dolce Vita

O objectivo da vida é viver.

Isso e as razões que criamos:
Amor, Liberdade e Dor(?)

Ciência

Razão

Emoção

Imaginação



"Liberdade, Igualdade ,Fraternidade."

Para Sempre

Perco-me por entre as linhas que rascunham a sala.
Por entre os interstícios, cantos esquecidos na poeira e na cinza , entrevejo o ar que flutua errante, os dias que renascem do passado, a névoa de pensamentos perdidos deslizando dos olhos para o vazio do tempo, como o fogo que se apaga em fumo enleado na brisa que se precipita de encontro ao solo –partículas que chovem em rios prateados.


Quero contar o que existe, e sei tão pouco do que existe.

E fecho os olhos, num impulso eléctrico.
Recordo o mundo que se estende para lá, infinito suave que acaba nas ondas estelares lançadas ao vento.
E os sonhos fogem, correm na busca perpétua da aurora que se escapa por entre os dedos cansados – grãos de areia engolidos pelo fim do horizonte.

Mas há vida para lá do horizonte.
Outros sonhos. Outras mágoas.
Outros brilhos. Outras estrelas.
Outra luz que dança por entre outras folhas que cantam à lua que passa.

Porque o infinito é sempre mais que o infinito.

Falas adeístas

E Deus disse:
"Não existo.
Sou apenas o medo que vive nos Homens.
E a esperança, que vai morrendo aos poucos."

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Para lá

“Todos somos pó de estrelas”- Carl Sagan



Não me perdi.
Apenas me esqueci no tempo que passa entre palavras.
Delírios suaves que banham, como orvalho, os sonhos que outrora se estenderam no cosmos,
Estendo o olhar e os sentidos, no cansaço eufórico da descoberta. Porque são os sonhos que nos levantam metaforicamente do chão, levando-nos pelo horizonte que se afunda no cessar da aurora.

E saber que há mar para lá do horizonte, é saber a mar para lá do horizonte.

Respiro. O ar queima em golfadas, estendendo-se pelo bronquíolos e pelos alvéolos e fundindo-se no sangue que passa.
Despertando o corpo em aguilhoadas, furores prementes que correm os nervos.
Pressinto as moléculas correndo alucinadas entre as células, os tecidos contraindo-se em espasmos rubros, o corpo balançando ao sabor do impulso, da maresia , como o sangue que se esvai do coração pelas veias , canais carnais que percorrem o corpo .

E enquanto aprecio o movimento interno, ouço o murmúrio da luz que ondeia entre as partículas, frestas de um nada.

Canto das estrelas,
Música que me chega trazida pelo vento solar.

Porque as estrelas cantam enquanto esculpem a matéria.
Matéria de sonhos. Matéria de vozes.

domingo, 10 de fevereiro de 2008

Aforismo

O único prazer de um mistério reside na maravilha da descoberta.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

Amar o Mar

Sei a chuva que cai sobre o mar.
Estende-se a calçada para as ondas que revolvem a areia pálida.
Sentem-se os barcos, sonhos correndo na brisa das águas.
Ouve-se o canto da maresia, ritmo lento que rasga os gritos do cais e compassa com a agonia das gaivotas, rapinando peixes que trespassam o tumulto das correntes.
As nuvens, desfazendo-se no céu azul claro, deixam as últimas gotas desamparadas diluir-se no reflexo verde e branco.
E a Luz baila por entre o ar em raios que sulcam os ventos celestes, brilhando por entre o infinito, numa visão sem limites e sem palavras.
E continuam os barcos, ao longe, pequenos pontos opacos recortando a ternura furiosa das marés.

Navegar é preciso, viver também é preciso.

Nasce

Nasce um novo dia, amaciado pela noite , pelas nuvens e pela luz que ondula dos candeeiros eléctricos.

Mas o azul-claro desponta, enleado no carmesim de um sol nascente.