Há, por entre os sonhos esquecidos, aquele encanto ledo e frágil, quase efémero, como o orvalho que se esquiva das ervas espraiadas pelos jardins da cidade. Quando lembrados neste alvor de aurora, recordam-nos o que fomos e o que somos, ou seja, edifício de emoções, pensamentos e memórias que fomos empilhando ao longo da nossa história:
Como uma cidade em constante mudança, ora crescendo ora encolhendo, consoante a hora do dia ou da noite, transformamo-nos e reorganizamo-nos, de acordo com as exigências do dia e com as necessidades do ser.
Mas existem aquelas alturas em que voltamos aos sonhos esquecidos, aos sonhos que foram relegados para alturas mais oportunas. Por vezes e espantamo-nos com diferença que sentimos, com o tempo que passou.
Sentimos uma solidez por os nossos sonhos serem agora mais reais, já quase concretizados. Como na altura em que éramos crianças e queríamos ser grandes, crescidos.
Agora já somos grandes.
Crescidos.
Homens e Mulheres na flor da idade.
Noutras alturas, conciliamos o sonho com a realidade, com um sorriso que ilumina o dia, como a madrugada entrando pelas festas das casas adormecidas. Atingimos o nosso objectivo, através da inteligência, paciência e da necessidade de querer.
Como este texto, por exemplo. Era um sonho esquecido, adiado pela falta de tempo e vontade. E de repente, como quem não quer a coisa, sai assim, quase ininterruptamente, como um suspiro de alívio ,
uma lamentação contente e inconstante.
Em suma,
uma lamentação feliz.
Há sempre sonhos na vida das pessoas. Mais do que um, normalmente.
E continuo a pensar que a melhor forma de viver é transformar em sonho a vida que se leva e as coisas que se fazem.
Gozar a vida, pois somos a vida que fazemos.
Pois, para não desperdiçar um segundo, não podemos pensar em como poderia ter sido, mas sim que, como foi, foi bastante bom.
E, se não foi bom, tornamos o próximo ainda melhor.
Enfim:
Carpe diem , porque és ele.
segunda-feira, 14 de julho de 2008
sábado, 12 de julho de 2008
Catarse verbal
Daqui
Catarse verbal
Sulcos de fogo cruzam a pele rasgada.
Porque para lá dos olhos há sonhos confusos,
e para lá das religiões há pessoas cansadas.
Todos somos deuses que vagueiam e
correm por salpicos de loucura e gozo
e lama.
(incandescente
e ao mesmo tempo fria,
tão fria....).
(Somos)
Delírios lançados ao vento estelar.
Inquietos por saber a sua própria mortalidade
e as limitações que sustêm um corpo.
Mas não nos lembramos
que o sonho comanda a vida
e que o homem comanda o sonho
e que com muitos pares de mãos
é o mundo mudado
no tempo que um fósforo leva a arder
na chama de um sonho concretizado.
Catarse verbal
Sulcos de fogo cruzam a pele rasgada.
Porque para lá dos olhos há sonhos confusos,
e para lá das religiões há pessoas cansadas.
Todos somos deuses que vagueiam e
correm por salpicos de loucura e gozo
e lama.
(incandescente
e ao mesmo tempo fria,
tão fria....).
(Somos)
Delírios lançados ao vento estelar.
Inquietos por saber a sua própria mortalidade
e as limitações que sustêm um corpo.
Mas não nos lembramos
que o sonho comanda a vida
e que o homem comanda o sonho
e que com muitos pares de mãos
é o mundo mudado
no tempo que um fósforo leva a arder
na chama de um sonho concretizado.
Breve (Aviso!)
Brevemente
mais um texto,
talvez mais um poema
mais um sonho.
Aqui, a seguir,
posto um poema velhote,
com alguns remendos do presente.
Esperem por mais!
mais um texto,
talvez mais um poema
mais um sonho.
Aqui, a seguir,
posto um poema velhote,
com alguns remendos do presente.
Esperem por mais!
segunda-feira, 9 de junho de 2008
Escuta o som que vem do riacho.
Escuta-se, pelas janelas caiadas de branco e carmesim, o som do sol caindo entre o ciciar dos pinheiros. Sente-se a terra a revolver-se, fluida, entre mantos e mantos de magma flamejante, rios surdos correndo por entre os vales e montanhas das fronteiras telúricas. E, por cima da seda arenítica coberta pelas ervas que crescem lentamente, sentem-se as correntes do vento e o cantar dos pássaros, das andorinhas que voltam certas, como as flores que cobrem, certamente, as oliveiras estendidas pelos solos distantes, e as amendoeiras que nascem por entre as colinas das Serras , entrecortadas pelos arroios esquecidos e pelas sombras do entardecer.
E eles caminham, calmamente, com a sabedoria de quem não esqueceu o passado e a quem não aflige o futuro, aproveitando a brisa da tarde, por entre a melodia que se escapa do anoitecer e do Sol que brilha com esplendor.
E são felizes, pois sabem que viver é viver.
E nós também caminhamos, ou queremos caminhar.
E eles caminham, calmamente, com a sabedoria de quem não esqueceu o passado e a quem não aflige o futuro, aproveitando a brisa da tarde, por entre a melodia que se escapa do anoitecer e do Sol que brilha com esplendor.
E são felizes, pois sabem que viver é viver.
E nós também caminhamos, ou queremos caminhar.
quarta-feira, 4 de junho de 2008
Alguns Sonhos.
Todos temos sonhos escondidos, que se escapam por entre os dedos como as cinzas do nascer da aurora.
Sonhos que ardem, tresmalhando-se aos poucos por entre os raios de sol ou a chuva tímida que banha, como orvalho, o despertar estremunhado por entre o som de uma nova manhã apressada.
Guardamo-los todos os dias entre os olhos, por entre os lábios, em sussurros inaudíveis. E vivemos todos os dias com esses sonhos entalhados na consciência.
E há quem os tenha e há quem os crie e há quem os viva.
Todos somos animais. Desde a primeira célula viva, dotada de animação e de capacidade de se reproduzir, até à complexa simbiose celular que nós somos, passaram milhões de anos.
Anos em que, por necessidade ambiental e selecção natural, as células se foram desenvolvendo através de mortes e cooperações. Até nos formarem, várias foram as espécies que morreram (Quase todas as espécies morreram.)
E cada um de nós está aqui por um golpe de sorte. Mas também por vigor.
Fomos construídos pelo tempo , pelo meio e pela urgência de viver , como castelos andantes , pensantes e sensíveis a cada desejo que nos percorre o corpo e vagabundeia pela mente .
E agora que sabem de onde vieram, sabem porque é que vieram?
Por nada.
Razão nenhuma.
A vida não tem um sentido absoluto, não tem razão exterior.
Mas tem razão interior. Cada sonho de cada um. O que consideramos essencial:
Família,
Prazer,
Sucesso,
Amor,
Liberdade,
Desejo
Fraternidade.
E ainda bem que não há razão exterior nem objectivo que sejamos obrigados a completar. Isso permite-nos escolher os nossos. Permite-nos viver de consciência tranquila e com um sorriso nos lábios, sem temer os castigos eternos.
Aceitar o que realmente é e aceitar o que não sabemos, é, assim, bem melhor que inventar desculpas e justificações mal formadas.
Portanto não se preocupem. Vivam e deixem viver. Desfrutem, pois só estamos cá uma vez, e, bem vistas as coisas, até é agradável.
E façam os outros desfrutar.
É isto que têm em comum os sonhos da Humanidade.
Sonhos que ardem, tresmalhando-se aos poucos por entre os raios de sol ou a chuva tímida que banha, como orvalho, o despertar estremunhado por entre o som de uma nova manhã apressada.
Guardamo-los todos os dias entre os olhos, por entre os lábios, em sussurros inaudíveis. E vivemos todos os dias com esses sonhos entalhados na consciência.
E há quem os tenha e há quem os crie e há quem os viva.
Todos somos animais. Desde a primeira célula viva, dotada de animação e de capacidade de se reproduzir, até à complexa simbiose celular que nós somos, passaram milhões de anos.
Anos em que, por necessidade ambiental e selecção natural, as células se foram desenvolvendo através de mortes e cooperações. Até nos formarem, várias foram as espécies que morreram (Quase todas as espécies morreram.)
E cada um de nós está aqui por um golpe de sorte. Mas também por vigor.
Fomos construídos pelo tempo , pelo meio e pela urgência de viver , como castelos andantes , pensantes e sensíveis a cada desejo que nos percorre o corpo e vagabundeia pela mente .
E agora que sabem de onde vieram, sabem porque é que vieram?
Por nada.
Razão nenhuma.
A vida não tem um sentido absoluto, não tem razão exterior.
Mas tem razão interior. Cada sonho de cada um. O que consideramos essencial:
Família,
Prazer,
Sucesso,
Amor,
Liberdade,
Desejo
Fraternidade.
E ainda bem que não há razão exterior nem objectivo que sejamos obrigados a completar. Isso permite-nos escolher os nossos. Permite-nos viver de consciência tranquila e com um sorriso nos lábios, sem temer os castigos eternos.
Aceitar o que realmente é e aceitar o que não sabemos, é, assim, bem melhor que inventar desculpas e justificações mal formadas.
Portanto não se preocupem. Vivam e deixem viver. Desfrutem, pois só estamos cá uma vez, e, bem vistas as coisas, até é agradável.
E façam os outros desfrutar.
É isto que têm em comum os sonhos da Humanidade.
Sonho de um dia de Verão
Recortamos o Sol por entre as nuvens, ao entardecer.
Enquanto a cidade caminha lentamente, observamos a luz que desmaia, iluminando a poeira que baila por entre os entalhes do ar.
É um daqueles dias em que se vence a chuva e se volta a imaginar o Sol na sua verdadeira imponência, uma esfera em fogo, enérgica e dinâmica, revolvendo-se e queimando-se interminavelmente.
Em que se volta a imaginar as reacções no núcleo, transformando a matéria e libertando toda a energia que nos domina.
E nos maravilhamos com o que existe.
E nos voltamos a maravilhar com o que realmente existe.
E enquanto vagueamos por entre a luz derramada, talvez sentados num banco ,com a brisa que nos anima, ou à beira da corrente de um rio que se enleia por entre as pedras e o cheiro a maresia, sentimos o que realmente somos, e isso enche-nos com a calma , os sonhos e o prazer que se esconde por detrás das preocupações.
E sabemos que não precisamos de mais do que o que existe e o que é, e que o mundo, todo o espaço universal, não tem propósito, nem consciência, mas faz sentido e é belo.
E entendemos que perceber o que existe é adorar o que existe, e que todas as explicações reais são melhores que as inventadas. Percebemos que o Sol ser o que é o Sol não lhe tira imponência nem poder, e que o Homem ser o que é o Homem, não ser o fim nem o centro de nada , não nos tira a importância que sentimos.
E que estar tudo ao nosso alcance nos dá o poder de mudar o mundo.
Continuamos a
Recortar o Sol, ao entardecer,
por entre o deslizar das palavras.
Enquanto a cidade caminha lentamente, observamos a luz que desmaia, iluminando a poeira que baila por entre os entalhes do ar.
É um daqueles dias em que se vence a chuva e se volta a imaginar o Sol na sua verdadeira imponência, uma esfera em fogo, enérgica e dinâmica, revolvendo-se e queimando-se interminavelmente.
Em que se volta a imaginar as reacções no núcleo, transformando a matéria e libertando toda a energia que nos domina.
E nos maravilhamos com o que existe.
E nos voltamos a maravilhar com o que realmente existe.
E enquanto vagueamos por entre a luz derramada, talvez sentados num banco ,com a brisa que nos anima, ou à beira da corrente de um rio que se enleia por entre as pedras e o cheiro a maresia, sentimos o que realmente somos, e isso enche-nos com a calma , os sonhos e o prazer que se esconde por detrás das preocupações.
E sabemos que não precisamos de mais do que o que existe e o que é, e que o mundo, todo o espaço universal, não tem propósito, nem consciência, mas faz sentido e é belo.
E entendemos que perceber o que existe é adorar o que existe, e que todas as explicações reais são melhores que as inventadas. Percebemos que o Sol ser o que é o Sol não lhe tira imponência nem poder, e que o Homem ser o que é o Homem, não ser o fim nem o centro de nada , não nos tira a importância que sentimos.
E que estar tudo ao nosso alcance nos dá o poder de mudar o mundo.
Continuamos a
Recortar o Sol, ao entardecer,
por entre o deslizar das palavras.
Adeus a Deus
Rejubilai irmãos:
acabou-se o medo.
Escutai , Escutai:
morreram os deuses.
Morreram os deuses
nos corações do Homem
Caíram as crenças
as vestes sacerdotais e
as místicas falidas.
Caiu o pecado
em pó e vento e cinzas.
Caiu o medo
e o pesadelo.
E caíram as esperanças
nas mãos dos Homens.
Desceram do céu.
E caíram aqui
Porque sempre foram nossas
e não de um deus imaginário.
Foi sempre nosso o poder
de mudar o mundo.
E de viver enquanto existimos.
Porque viver enquanto mortos
é uma impossibilidade científica.
Inventada para aqueles que têm medo
de agarrar o dia e acariciá-lo com as mãos suadas.
acabou-se o medo.
Escutai , Escutai:
morreram os deuses.
Morreram os deuses
nos corações do Homem
Caíram as crenças
as vestes sacerdotais e
as místicas falidas.
Caiu o pecado
em pó e vento e cinzas.
Caiu o medo
e o pesadelo.
E caíram as esperanças
nas mãos dos Homens.
Desceram do céu.
E caíram aqui
Porque sempre foram nossas
e não de um deus imaginário.
Foi sempre nosso o poder
de mudar o mundo.
E de viver enquanto existimos.
Porque viver enquanto mortos
é uma impossibilidade científica.
Inventada para aqueles que têm medo
de agarrar o dia e acariciá-lo com as mãos suadas.
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